A elite do atraso Jessé Souza

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Da escravidão a Bolsonaro

Sumário

A elite do atraso se tornou um clássico contemporâneo da sociologia brasileira, um livro fundamental de Jessé Souza, o sociólogo que ousou colocar na berlinda as obras que eram consideradas essenciais para se entender o Brasil.

Editorial Estação Brasil
Ano 2019
Páginas 302
Tamanho do arquivo 1.58 MB
Formato PDF

Sinopse

A elite do atraso foi pensado para ser uma leitura historicamente informada da recente conjuntura brasileira. A crise brasileira atual é também, e antes de tudo, uma crise de ideias. Velhas ideias nos legaram o tema da corrupção na política como nosso grande problema nacional.

Isso é falso, embora, como em toda mentira e em toda fraude, tenha seu pequeno grão de verdade. Nossa corrupção real, a grande fraude que impossibilita o resgate do Brasil esquecido e humilhado, está em outro lugar e é construída por outras forças. São essas forças, tornadas invisíveis para melhor exercerem o poder real, que o livro pretende desvelar. Essa é a nossa elite do atraso.

Para melhor cumprir meu objetivo, construí este livro sob a forma de uma resposta crítica ao clássico Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, publicado em 1936. Como veremos, o livro de Sérgio Buarque é, ainda hoje, a leitura dominante do Brasil — seja em sua modernização nos epígonos mais famosos, como Raymundo Faoro, Fernando Henrique Cardoso e Roberto DaMatta, seja em sua influência ampla e difusa nos intelectuais de direita e de esquerda no Brasil atual. É a influência continuada dessa leitura na cabeça das pessoas que nos faz de tolos.

O sucesso da empreitada de Sérgio Buarque se deve ao fato de ele ter logrado, ao modo dos profetas das grandes religiões mundiais, responder às três grandes questões que desafiam indivíduos e sociedades: De onde viemos? Quem somos? Para onde (provavelmente) vamos?

Articular essas três questões centrais de modo convincente permitiu que sua visão se tornasse a interpretação oficial do Brasil sobre si mesmo. Como veremos, a Lava Jato se legitima com Sérgio Buarque e seus epígonos; a Rede Globo legitima sua violência simbólica do mesmo modo; ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se legitimam a partir de suas ideias; e intelectuais importantes da esquerda continuam reproduzindo suas supostas evidências e as de seus discípulos.

Índice

Prefácio

  • O racismo de nossos intelectuais: o brasileiro como vira-lata

A ESCRAVIDÃO É NOSSO BERÇO

  • O mundo que a escravidão criou
  • Freyre contra ele mesmo
  • Sobrados e mucambos ou o campo na cidade

AS CLASSES SOCIAIS DO BRASIL MODERNO

  • A criação da ralé de novos escravos como continuação da escravidão no Brasil moderno
  • Os conflitos de classe do Brasil moderno
  • O pacto antipopular da elite com a classe média
  • A classe média e a esfera pública colonizada pelo dinheiro
  • O moralismo patrimonialista e a crítica ao populismo como núcleo do pacto antipopular
  • O pacto elitista e sua violência simbólica
  • A elite do dinheiro e seus motivos
  • A classe média e suas frações

A CORRUPÇÃO REAL E A CORRUPÇÃO DOS TOLOS

  • A corrupção real e a corrupção dos tolos: uma reflexão sobre o patrimonialismo
  • Normalizando a exceção: o conluio entre a grande mídia e a Lava Jato

Posfácio

  • Um país em transe: as razões irracionais do fascismo

Notas

Extrair

A primeira coisa a se fazer, quando se reflete sobre um objeto confuso e multifacetado como o mundo social, é perceber as hierarquias das questões a serem esclarecidas. Sem isso, nos perdemos na confusão.

O poder é a questão central de toda sociedade. A razão é simples: é ele que nos dirá quem manda e quem obedece, quem fica com os privilégios e quem é abandonado e excluído. O dinheiro, que é uma mera convenção, só pode exercer seus efeitos porque está ancorado em acordos políticos e jurídicos que refletem o poder relativo de certos estratos sociais. Assim, para conhecer uma sociedade, é necessário reconstruir os meandros do processo que permite a reprodução do poder social real.

O exercício do poder social real precisa ser legitimado. Ninguém obedece sem razão. No mundo moderno, quem cria a legitimação do poder social — que será a chave de acesso a todos os privilégios — são os intelectuais.

Pensemos na Lava Jato e em sua avassaladora influência na vida do país. A “limpeza da política” que o procurador Deltan Dallagnol, o intelectual da operação, preconiza para o Brasil é uma mera continuidade da reflexão de Sérgio Buarque e Raymundo Faoro, como veremos em detalhe mais adiante.

Autor

JESSÉ SOUZA é graduado em direito e mestre em sociologia pela Universidade de Brasília, a UnB, doutor em sociologia pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e fez pós-doutorado em psicanálise e filosofia na The New School of Social Research, em Nova York.

É autor de mais de 20 livros e de artigos e ensaios em vários idiomas. Entre seus maiores sucessos se destacam A classe média no espelho (Estação Brasil); A tolice da inteligência brasileira, A radiografia do golpe e Subcidadania brasileira (LeYa); A ralé brasileira (Contracorrente); e Os batalhadores brasileiros (Editora UFMG).

Detalhe do livro

Título do livro A elite do atraso Jessé Souza
Subtítulo do livro Da escravidão a Bolsonaro
Autor
Editorial Estação Brasil
Ano 2019
Páginas 302
País Brasil
ISBN 9788556080431
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